terça-feira, 18 de agosto de 2015

Bebendo Saudade

Vislumbro teu cerne cativo
e meu corpo, dolorido,
acostumou-se à saudade.

Mesmo madrugada
na cidade enluarada
beirando a calçada
embriagada...
Te procuro.

No escuro
quem sabe te acho
Fecho os olhos
fingindo dançar
quando em verdade
te abraço...

Tão forte
que nem sinto
...o chão

Tropeço
no cordão
mas disfarço...

Quem será de nós?

Quem será, desatará os nós?

Saudade do teu beijo. 

(Joana ou Joaquina)

das frases curtas:

-Meus olhos nos teus olhos e já é poesia.

Não finja, amor...
Não finja amor.

E quando nada souberes, nada diga.
E quando é nada e souberes, grita.

Quando o vazio incomodar, sussurra.
Quando for vazio e incomodar, suma.

Amor é flor de vento,
é folha de outono 
que o vento leva.
Quem me dera, 
amor...
Amor, 
quem me dará?

Preenchi-me do vazio.
Já aprendi a sofrer.
E na solidão,
permeio meu choro com querer.
(Sofia)

A Criança no Avião

Perdão,
se por ti não nutro encanto.
Mas esse sonido ríspido,
seja feliz ou triste,
me azucrina os tímpanos.

Agrada-me te ver dormindo,
sereno e nulo.
Egoísmo maior é entregar-te
à este mundo.

Pensar em ti enche-me
de depressões,
o oposto do esperado,
(na certa)
mas sincero e fraterno
(juro)

Envergonho-me da humanidade,
e por todos os mundanos progenitores racionais
que, sem o mínimo de empenho, depositam seu lixo
sobre teus ombros em formação...

Será que suportas?
Será que suportarás?

Encanto travestido de asco.


(Marcos)

Plateia

Os sons
dançantes
As imagens
contrastantes
Carrancas
de horas
(duras)
Músculos
Contrações
Metais
e concretos

Percebo

Recebo

Absorvo

Observo

Que presente grandioso haveria de ser este que visto,
senão o despretensioso agora?!

(Sofia)

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Fica com Nós

Entra,

Fica
Firma
Aguenta
Dança na melodia
Que um belo dia
Essa dançadinha
Ainda salva a gente
Da monotonia
(de ser)

Fica...
Mais um pouco
Eu sei que é louco
Mas eu sonhei
(contigo)

No sonho
Pulávamos cercas
Riscávamos muros
Corríamos mundos
Despidos de pudor
Encontrávamos, amor
(aquela saída)

Fica...
Que eu te prometo
Com muito afeto
Muito beijo coberto
E muito abraço quente
Com todo carinho
(do mundo)

Fica,
Que eu faço valer
(a gente)

(Joana ou Joaquina)

Mexendo nas Gavetas

Olhei pro lado e não te vi.
Estranhei por não lembrar o porquê.
Estranhei não saber onde foi que errei.
Sequer vislumbro o fogo apagando...
só sei que pra te ver, hoje olho pra trás.

-Te pedi pra ficar? Não lembro...

Engraçado,
tanta coisa hoje faz sentido.
Tanta coisa,
em contrapartida, não fora sentido.
Fez falta, talvez,
algumas palavras não ditas,
qualquer choro contido,
uma briga aqui outra ali,
um ciúme besta quem sabe?!

O fato é que eu não consigo saber,
quando foi que a gente se perdeu
um do outro...

Jurei que tínhamos tudo
e que podíamos tudo.
Jurei que a velhice viria nos visitar
e repararia nos azulejos
da sala de jantar,
que haveríamos escolhido juntos.

Mas agora vejo,
numa lembrança meio apagada,
já era madrugada,
quando decidistes partir.

Vestiu-se ligeiro.
Olhou-se no espelho.
Beijou-me a face, sem sorrir.

Numa, clichê-blasé, pausa dramática,
sibilou tão cínico, com ares distintos:
"não te quero mais, amor"

-Que dor, diabos, que dor!

Sumiu-se dali,
como quem recusa a sobremesa.
Ainda deixou, que frieza,
calor e perfume no teu lado da cama.

E eu, rainha do drama,
engoli toda a trama e esqueci por completo.
Hoje te encontro no "bar do Beto" e,
maldito seja, me afogo em lágrimas e vinhos baratos...

Regurgitando as lembranças
guardadas na gaveta,
cuja resposta da pergunta falta.

História incompleta,
com culpado em penitência;
alego minha inocência e
culpo cego..
O ego.

-Fica...

Por que diabos eu não te pedi pra ficar?!!!

(Ana Cristina ou Carolina)