terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Morbidez das Coisas

A verdade é que: das coisas todas 
eu gosto menos.

Hoje eu gosto menos de filmes de comédia
Nem me importo se chove ou se faz sol
Não pergunto se a bebida é liberada
Se a cerveja é gelada, tanto faz.

Sombreiros coloridos não me animam
Balões com Helio já não me satisfazem
Desenhos animados não me preenchem
E o tempo passa arrastado.

Porque das coisas todas eu gosto menos.

Já não paro mais pra ver a imensidão do céu
Não consigo ver figuras ou algodão nas nuvens
Deixei de apreciar a rosa por me ferir no espinho
E logo me tornei apática, ao longo do caminho.

Se meu time venceu, eu nem soube, eu nem sei
Quando o mocinho morreu, eu sequer lamentei
Lembrei dos dias de verão e nem saudade bateu
Olhei no espelho e não sei se aquele reflexo é meu
Das minhas certezas só restaram dúvidas.

Porque das coisas todas eu gosto menos.

A piscina do vizinho não me causa inveja
As pombas na praça central só me causam repulsa
Progressiva e nostalgicamente perdi a lucidez
Abraçando a loucura e esquecendo a sensatez

Afastei-me das doenças mundanas
Das causas profanas não quis mais saber.
Em cárcere a luz ofusca meus olhos
A visão distorcida pesa meus ombros
Dei de costas pro mundo e abandonei o palpável
Minha missão é louvável, vocês hão de saber!
Hoje desapego de tudo que seduz,
Agora monto minha cruz e vou-me embora.

Porque das coisas todas hoje eu gosto menos...

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