quinta-feira, 10 de julho de 2014

Bicho Homem

Confortavelmente individual: 

A natureza criou a lei da sobrevivência. O homem criou a lei do conforto.
Somos frutos da natureza, porém, negamos o inato e o natural. 

Exaltamo-nos para que assim esquecêssemos nossa origem animalesca. 
 - Eternos descontentes, eternos insatisfeitos. 

Apropriamo-nos da jurisdição de tudo, saindo por aí julgando descontroladamente pelo simples prazer em julgar, em afirmar, em limitar. 
-O certo e o errado não passam de convenção para contenção do animalesco homem. 

Ainda assim, há uma distorção inconsciente (talvez consciente) para que possas perdoar a si dos erros cometidos: Justifica-te. 
-Como gosta de justificar-se o homem!    

A necessidade de afirmação gerou a união estável do julgar com o justificar. Tudo então é: “sim, porque”, “não, porque”, “sou porque”, etc. etc. etc.
-Nos tornamos os animais do porque. 

Nenhum outro ser vivo tem a arrogância, a prepotência, a pretensão... Do homem.
A necessidade em afirmar-se racional, sentimental, social, superior, etc. etc. etc. 
-No topo da cadeia alimentar. 

Mistificou-se tanto, a ponto de tornar-se um signo, uma simbologia de algo para alguém, e questiona se há vida tão inteligente em outro canto do universo.  
-Pobre homem...  

Gostou tanto dessa brincadeira de inventar-se, de afirmar-se, que, não obstante objetivou o paraíso, a continuidade da vida, a pós-vida; a eternidade. 
-Mas não adianta homem, és carne e osso, és animal.  

E tal qual animal que és, o húmus da terra há de comer-te em tua reles podridão finita. 
E ao ceifar tua vida o universo gargalha.  
-Achavas que era o que homem? 
   
Não podes negar a morte. 
A morte animalesca e coletiva.
A morte é indiferente a ti,
E te cala.

Todo animal

No final

É igual.

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