quinta-feira, 10 de julho de 2014

Liberté

Sobre vida e morte, sobre aborto:


-Que direito tem uma mulher de matar uma forma de vida inerente a sua?!
-Que direito tem uma bactéria, como forma de vida inerente a do corpo que habita, de matar um homem ou uma mulher?
-Não seja ridículo.
-Não seja hipócrita. Qual seria a diferença entre um feto fruto de um abuso sexual, um estupro, para uma bactéria cuja cura é desconhecida? Qual seria a condição pior para o corpo que habitam? E, se houvesse uma cura para tal bactéria, manterias tal obrigatoriedade? Sejamos racionais.
-Como ousas comparar um humano a uma reles bactéria? Que não pensa, não sente, não se relaciona..
-Odeio ser moralista, porém... Certo, não usarei mais este exemplo que julgas torpe. Partirei para algo mais palpável, e veja que não é intenção minha discutir crenças ou ciências. Teria um ser humano (a julgar na condição de homo sapiens ou então primata de polegar opositor, como preferir) uma existência com maior valia quanto a outros primatas, mamíferos, bípedes, pluricelulares, etc.? Considere uma retórica.
-Concordo. Para o universo como um todo, pesamos tanto quanto qualquer outro ser vivente.
-Pois então, por que não é defendido o direito a vida destes com tanto afinco quanto a nossa (hominídeos, homo sapiens, humanos, enfim)?! Por que comes a vaca e também o bezerro sem remorso, sem pesar? Por que interferimos tão pretensiosamente na vida ou vontade destes? Por que regramos tudo ao nosso redor e limitamos tudo entre certo e errado, entre bom ou ruim, entre importante ou dispensável... Quem somos nós? Para coroarmo-nos deuses dos homens entre os homens, e porque essa necessidade de julgamento, definição, limitação, ordem.
-Sinto em dizer, mas desperdiças tua retórica comigo. Continuo sendo contra o aborto.
-Talvez as palavras te valham pra algo. Continuas humano afinal.

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