quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Encanto

Depois dele eu quis parar de escrever
Sequer conseguia pensar em poesia qualquer que não fosse piegas demais
Eu peguei gosto por esse lado brega foi depois dele sabe..
Qualquer bossa ou bolero, qualquer versinho de Chico e eu desmanchava
"e eu que era triste, descrente desse mundo ao te conhecer eu descobri o que é felicidade meu amor"
Até se me alcançava o copo d´água de cima da estante eu num instante marejava olhando aqueles olhos
Eu entendi os loucos dos matrimônios com suas exuberâncias e crenças depois dele
Pensava na dureza da despedida e cada vez de partir eu queria era morar naqueles braços
As vezes, no meio da conversa, eu desligava a cena e me perdia no movimento de seus lábios
Pensando em como seria se morássemos juntos e, o medo de tudo desandar, me fazia voltar de súbito
Ele falava sobre músicas, sabores e lugares que eu nunca experimentei e eu maravilhava calada
Esse fascínio é coisa besta demais como pode sermos capazes de, conscientes, nos deixarmos hipnotizar?!
E somos. E acontece. E sucumbimos.
Depois dele eu quis ser mais dona de mim. Porque eu nunca fui dele e nem ele meu, nos doávamos em consentimento por querer doar-se... Por querer ser cada um mas em comunhão, sabe?! E eu desconcertei com isso.


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